Demanda em alta deve garantir ganho de margem à embalagem

Diante dos indícios de retomada da atividade econômica este ano, o setor de embalagens se prepara para um aumento da demanda. A expectativa é que o crescimento das encomendas possa garantir, inclusive, uma recomposição de margens aos fabricantes.

Nos últimos quatro anos, os segmentos de embalagens sofreram as consequências da recessão econômica, gerando retrações da produção em todos os seus ramos. “Estamos numa vertente de recuperação, com as perspectivas muito positivas para 2018”, diz a diretora-executiva da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Luciana Pellegrino. A avaliação dela é de que o setor acompanhe a dinâmica positiva apresentada desde o final do ano passado pelo varejo, garantindo uma “retomada efetiva”, mesmo com os desafios políticos às vésperas da eleição presidencial.

Segundo ela, a melhora do emprego e o retorno da confiança do consumidor vão determinar o ritmo de progressão do setor em 2018. “Somos menos impactados pelo aumento da concessão de crédito e mais pela expansão da renda, já que 70% das nossas embalagens se destinam a produtos não duráveis, como alimentos, cosméticos, fármacos e limpeza”, diz.

Conforme o economista e sócio da consultoria MacroSector, Fabio Silveira, este ano deverá marcar uma retomada da atividade econômica, com aumento dos volume e dos preços à indústria de embalagens. “Não será uma elevação de preços via custo de produção, que deve permanecer relativamente estável. Pode haver alguma alta pontual, por causa do petróleo, mas nada acentuado. O reajuste da indústria vai se dar pela alta da demanda [por embalagens]”, afirmou o economista.

Silveira acrescenta que esse incremento da procura por embalagens possibilitará ainda às indústrias um espaço para recomposição de margens. “Após três anos, as empresas tentarão elevar sua margem de lucro. Não vai ser uma grande melhoria, porque não há uma recuperação explosiva da demanda, porém vai garantir uma melhora da rentabilidade”, reforça.

Mesmo lenta, a retomada observada desde o ano passado já apresenta resultados. Em setembro de 2017, pela primeira vez desde outubro de 2013, a Abre registrou em seu balanço dois meses consecutivos de alta da produção. Entre janeiro e setembro, os volumes produzidos cresceram 0,27% sobre os nove primeiros meses de 2016. Diante deste resultado, a associação já projeta um crescimento de 0,6% para o setor em 2017, ante estimativa anterior, que era de 0,1% (número estimado até o mês de junho).

Enquanto no primeiro semestre do ano passado houve queda de 0,65%, na segunda metade de 2017 a expansão chegou a 1,9%.

Segmentos

Entre os principais segmentos da indústria de embalagens se destacam o de materiais plásticos, com cerca de 39% do faturamento do setor que, de forma consolidada, atingiu R$ 70,4 bilhões em 2017, segundo estimativa da Abre. Em seguida, aparecem embalagens metálicas, com 18,1% de representatividade, seguido por papelão ondulado (17,3%), cartolina e papelão (11,5%), papel (5,1%) e vidro (4,4%). A executiva da Abre revela que, em 2018, os segmentos ligados às embalagens metálicas, como aquelas usadas em bebidas, devem ganhar impulso, junto com as relacionadas ao de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos – especialmente vidros – e fármacos, pelo papel cartão. Em relação aos plásticos, Luciana evitou fazer previsões, já que é uma área muito pulverizada. “Nesse caso, há uma dinâmica muito particular para cada produto.”

Ontem, a Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO) divulgou que as vendas de papelão ondulado utilizados em embalagens – caixas, acessórios e chapas – subiram 3,91% em dezembro na comparação com igual mês de 2016, com dois dias úteis a menos, para 275,953 mil toneladas. Dessa forma, o volume expedido encerrou 2017 com avanço de 4,92% ante 2016, totalizando 3,501 milhões de toneladas.

Para a presidente executiva da Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço), Thaís Fagury, o volume de aço utilizado no Brasil para embalagens deverá somar, esse ano, cerca de 400 mil toneladas, ante 380 mil toneladas em 2017 e 378 mil toneladas de 2016. Segundo ela, o segmento de latas para alimentação apresentou um desempenho mais estável durante os piores momentos da recessão econômica. No entanto, se percebeu nesse período um grande processo de migração de tipos de embalagens. Ela cita como exemplo os molhos prontos, em que cerca de 90% do mercado migrou para flexível. “Os molhos em lata ficaram concentrados nos produtos premium. Isso ocorreu pela busca por menores preços das embalagens”, explica. Segundo Thaís, enquanto as latas destinadas a itens como leite em pó, conservas de milho e ervilha ou para frutas em conserva tiveram sua produção praticamente estável no ano passado (com uma expansão inferior a 2%); se destacou o aumento de 5% das embalagens destinadas para atum.

Em relação aos custos, ela minimizou o impacto dos recentes reajustes de preços anunciados pelas usinas no Brasil, reforçando que os repasses deste insumo devem afetar mais outras indústrias, como a de automóvel.

(Fonte: DCI)

Atacarejo cria novas oportunidades para o segmento de embalagens

No contexto econômico atualmente difícil do Brasil, muitas famílias estão buscando novos canais de compra que ofereçam preços mais atrativos. Uma nova pesquisa da empresa de pesquisa Euromonitor International indicou que um canal que ganhou destaque nos últimos anos foi o atacarejo que vem deixando de ser um canal exclusivo da população mais baixa e ganhando a preferência também das classes A e B.

Os atacarejos são principalmente relevantes na venda de bebidas. Segundo dados da Euromonitor, esse canal (que na pesquisa é identificado como um dos principais canais dentro de Mixed Retailers) representou, em 2016, 13% das vendas de bebidas frias (como refrigerantes, água e sucos), 11% das bebidas alcoólicas (como cerveja, destilados e vinhos) e 8% das vendas de bebidas quentes (como café e chá) no Brasil.

“Embora o atacarejo ainda seja um canal em desenvolvimento no que se refere às vendas de bebidas, sua taxa de crescimento está muito acima da média do varejo tradicional. Pegue, por exemplo, o segmento de bebidas quentes, cujas vendas no atacarejo cresceu 10,5% entre 2011 e 2016 enquanto a média do varejo (excluindo vendas online) foi de 1,6%”, comenta Angelica Salado, Analista Sênior de pesquisa da Euromonitor.

Salado comenta que a configuração de um atacarejo, entretanto, é bastante diferente à de um supermercado na questão de exibição dos produtos nas lojas e no manuseio dos itens. “É muito comum o uso de empilhadeiras nos atacarejos uma vez que elas facilitam o acesso às prateleiras mais altas. Por consequência, isso exige que os produtos tenham uma maior resistência nas embalagens. Além disso, as prateleiras dos atacarejos tendem a ser muito maiores e mais altas, trazendo diversas marcas lado a lado ou empilhadas. Isso, por sua vez, dificulta a visualização das marcas e, consequentemente, exige embalagens visualmente atraentes e fáceis de serem identificadas”, comenta.

Não coincidentemente, várias marcas de cervejas modificaram suas embalagens, alterando logo e identidade visual, para melhor se posicionarem junto ao consumidor e também para atenderem as demandas desse novo canal em destaque. A pesquisa da Euromonitor apresenta como cases de sucesso que valem a pena comentar o da Heineken, que aumentou o tamanho da sua estrela vermelha icônica da embalagem, e da Itaipava, que trouxe novas cores para sua embalagem e também incorporou uma coroa como símbolo da marca.

Angelica afirma que, embora o desenvolvimento de novas embalagens exija um alto investimento, as marcas precisam considerar se seus produtos atendem às novas demandas do consumidor no atacarejo. “É importante ressaltar que esse canal certamente deve se consolidar ainda mais nos próximos anos, ainda que o consumidor volte a ter uma renda parecida dos anos pré-crise. Para as marcas, isso significa que essas inovações de embalagem devem permanecer relevantes por muitos anos”, finaliza.

(Fonte: Blog Euromonitor)

Etapas do processo de reciclagem do plástico

A cadeia produtiva da reciclagem começa com o consumidor, que prepara a entrega de embalagens e produtos plásticos para a coleta seletiva ou aos PEVs – Pontos de Entrega Voluntária. De lá, o material é recolhido pelos catadores e cooperativas, levado aos Centros de Triagem, onde cada produto é separado pelo tipo de resina.

Na reciclagem mecânica, que é a mais comum para os materiais plásticos pós-consumo os resíduos passam por 4 etapas: fragmentação (moagem), lavagem, separação, secagem e extrusão.

Na fragmentação os resíduos são levados para um moinho que reduzem o seu tamanho. Na lavagem e separação, os fragmentos, comumente chamados de flakes, são lavados com água e a separação é feita pela diferença de densidade, ou seja, materiais mais densos afundam e os menos densos ficam na superfície da água. Na secagem, os flakes separados são secos em grandes secadores com circulação de ar quente e na extrusão, os flakes são alimentados em uma máquina extrusora, onde são fundidos por aquecimento e levados por uma rosca sem fim a uma matriz, formando os filamentos contínuos, comumente chamados de “espaguetes”, que são resfriados em uma banheira com água a temperatura ambiente e cortados em uma granuladora, formando os grânulos de material plástico reciclado, que são embalados.

As recicladoras enviam a matéria-prima para as indústrias de transformação, os chamados “Transformadores da Cadeia Produtiva do Plástico”. São elas que desenvolvem os produtos em plástico que fazem parte da nossa vida e que trazem soluções inovadoras para todos os setores da indústria.

Existem outros dois tipos de reciclagem:

Reciclagem química: processamento de produtos plásticos, transformando-os em substâncias químicas ou matérias-primas, sempre envolvendo processos de despolimerização.

Recuperação energética e incineração: queima de resíduos para gerar calor, vapor ou energia. Utilizada em locais onde a coleta não se dá de forma seletiva ou quando já foi esgotada todas as possibilidades de reciclagem mecânica. Os resíduos incinerados, na verdade, são considerados como rejeitos. Estima-se que a incineração de resíduos plásticos proporcione uma redução de 85-90% em volume de material plástico.

Fonte: Plástico Transforma.

Pesquisa indica que 2017 ainda será ano de ajustes para setor de embalagens flexíveis

Em um cenário onde os preços do gás natural e do petróleo permanecem baixos – por volta de US$ 60 o barril de petróleo – alguns analistas apostam que nos próximos 3 a 4 anos haverá uma onda de investimentos, principalmente em plantas de PE (polietileno) nos Estados Unidos. Segundo Otávio Carvalho, da Maxiquim, empresa que produz estudo de mercado exclusivo para a ABIEF, isto levará a uma queda entre 15% e 20% no preço das resinas já em 2018, em comparação a 2016, especialmente na Europa.

Em 2016 estima-se que a demanda brasileira de PE e de PP (polipropileno) tenha superado a marca de 3,8 milhões de toneladas, com uma leve alta em PP (0,6%) e queda em PE (1,4%), no comparativo com o ano anterior. Mundialmente a produção de PE está avaliada em 110 milhões de toneladas, com uma demanda ao redor de 100 milhões de toneladas. Para 2017, a previsão é de um aumento de demanda de 0,3% nestas poliolefinas, que a longo prazo se manterá em alta entre 2% e 3% ao ano.

As exportações brasileiras de poliolefinas foram recordes em 2016, com alta de 20,2%; já as importações registraram queda de 0,5%. O saldo na balança comercial foi positivo em 513 mil toneladas. Os EUA foram responsáveis por 40% das importações de resinas brasileiras; já a Argentina respondeu por 40% das exportações para o Brasil.

“Vale lembrar que 42% das receitas da Braskem no ano passado foram provenientes de operações fora do Brasil”, lembra Carvalho. Ele alerta ainda para o fato de que em 2016 “atrasos das plantas de eteno e de PEs melhoraram substancialmente as projeções de oferta x demanda, em termos de margens, níveis de operação e rentabilidade das plantas”.

SUP desponta entre as embalagens flexíveis

Proporcionalmente, uma das embalagens flexíveis com melhor desempenho em 2016 no Brasil, foi o stand-up pouch (SUP). Embora os principais setores usuários de embalagem tenham registrado queda na demanda de flexíveis em 2016 – exceto alimentos com alta de 0,7% – a Maxiquim aposta em dois setores para alavancar o consumo em 2017: produtos de higiene pessoal e agropecuário.

A indústria de embalagens plásticas flexíveis fechou 2016 com uma produção de 1,834 milhão de tonelada (queda de 0,1% em comparação a 2015) e um faturamento de R$ 21 bilhões (alta de 6%). A participação dos diferentes tipos de resina no volume de produção foi: PEBDL (polietileno linear de baixa densidade) 50%, PEBD (polietileno de baixa densidade) 23%, PP (polipropileno) 17% e PEAD (polietileno de alta densidade) 10%.

Em toneladas, tanto as exportações como as importações de embalagens flexíveis sofreram queda de, respectivamente, 30% e 23% em 2016 em comparação com o ano de 2015. Em valores, as quedas foram mais acentuadas: exportação 40% e importação 34%. Contudo, a participação das embalagens flexíveis na indústria de transformados plásticos continua importante: 29%.

A Maxiquim aponta como pontos relevantes para o setor em 2017:

  • retomada lenta da economia levará a um crescimento pequeno no contexto doméstico;
  • o setor se deparará com muitas empresas em dificuldades para reequilibrar suas margens;
  • os investimentos continuarão em um ritmo lento por conta da instabilidade econômica;
  • o aperto no crédito tende a retroceder;
  • as mudanças regulatórias continuam no radar;
  • poderá haver uma recuperação do terreno perdido para importações

(Fonte: Assessoria de Imprensa ABIEF, 05 de abril de 2017)

Cresce o número de soluções para proteger o consumidor final contra a violação de produtos

O problema, que já é global, afeta a credibilidade de produtos e marcas e impõe para a indústria de embalagem um novo desafio…

Com o processo de globalização em plena expansão, cresce também a complexidade na cadeia de suprimentos. São cada vez mais produtos e mais fornecedores vindos de diferentes – e vários – países o que torna críticas as etapas de identificação, captura e compartilhamento de informações precisas sobre cada produto. O que, no final das contas, pode deixar o consumidor final inseguro sobre a integridade do produto, afetando, por tabela, sua confiança na marca.

A insegurança é agravada quando nos deparamos com pesquisas como a recém divulgada pela PMMI (Associação de Embalagem e Tecnologias de Processo), dos Estados Unidos, que indica que a violação de produtos deve crescer cerca de 3% ao ano, em todo o mundo, nos próximos anos. Este é, portanto, um desafio real e crescente. Este aumento certamente impulsionará o desenvolvimento de novas soluções anti violação a uma taxa anual estimada pelos especialista entre 13% e 16%.
“Este crescimento do mercado de soluções anti violação superará, de longe, o crescimento de indústrias mais tradicionais como alimentos, bebidas e produtos farmacêuticos em pelo menos duas a três vezes, nos próximos cinco anos”, avalia a pesquisa da PMMI.

Segundo Paula Feldman, diretora de Inteligência de Negócios da PMMI, “com o crescimento contínuo desta tendência, em nível global, é fundamental que setores correlatos, como embalagem e processo, mantenham esforços contínuos para desenvolver soluções que evitem a violação dos produtos e mantenham o controle de rastreamento dos mesmos, evitando recalls e, principalmente, a insatisfação do consumidor com um produto/marca”.

A América do Norte sozinha respondeu por 50% do crescimento global do mercado de soluções anti violação para embalagens de alimentos em 2014. “Mas é extremamente importante que a indústria de embalagem continue a tomar as ações necessárias para proteger as marcas ao redor do mundo”, recomenda Feldman.
Os resultados do estudo da PMMI se baseiam em entrevistas feitas com 75 brand owners, experts do setor e fornecedores de tecnologias que compartilharam suas experiências em atender às legislações relativas a rastreabilidade nas indústrias de alimentos, bebidas e produtos farmacêuticos.

Para mais informações visite www.pmmi.org.

Consumidor ainda prioriza promoções, embalagens econômicas e atacarejo

A inflação arrefeceu, mas não o suficiente para estimular o consumidor a ampliar suas compras nos super e hipermercados. Ainda pressionado pelo medo de perder o emprego, e com a renda achatada, mantém hábitos adquiridos quando a recessão parecia mais aguda e a inflação mais alta. O brasileiro continua buscando promoções, embalagens econômicas e mostra preferência pelo atacarejo.

A retração do consumo atingiu o varejo em cheio, causando queda no volume de vendas em todas as categorias avaliadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em hipermercados e supermercados, as vendas de alimentos, bebidas e fumo registram queda de 2,9% neste ano, até julho. Em 12 meses, a retração chega a 3,1%.

“O humor dos consumidores muda à medida que há melhora na perspectiva sobre a economia de 2017, com inflação mais baixa, redução da taxa básica de juros (Selic) e queda no nível do desemprego. Mas, efetivamente, não houve mudança significativa nos indicadores macroeconômicos”, diz Maximiliano Bavaresco, sócio-diretor da Sonne Consultoria.

Atacarejos

O analista observa que os consumidores mudaram o comportamento devido à recessão e não devem voltar a comportamentos antigos antes de 2017. “Em geral, os consumidores ainda estão muito pautados em ofertas e promoções, por causa do desemprego alto e da queda na renda das famílias”, diz Bavaresco. Para ele, a substituição das compras em hipermercados e supermercados pelo atacarejo é outra mudança no perfil de consumo que permanece.

“O consumidor vai menos às lojas, mas faz compras maiores, que duram mais tempo, desde que isso represente economia”, diz Alejandro Arruiz, diretor de Estratégia Comercial da rede de supermercados Cencosud Brasil. O grupo chileno é dono de bandeiras como GBarbosa, Mercantil Rodrigues e Prezunic. “Recentemente percebemos a presença ainda mais notável de grupos familiares se unindo para fazer compras compartilhadas, uma alternativa para levar mais produtos por menos.”

Embalagens econômicas

Nas categorias com embalagens maiores ou econômicas, as vendas crescem 25% neste ano, em relação a 2015, diz Arruiz. Fabricantes de detergentes para roupas, limpadores, papel higiênico, fraldas, leite em pó, achocolatados, refrigerantes e sucos estão entre as que mais exploram esse formato, afirma.

Tiago Oliveira, gerente de soluções para lojistas da Kantar Worldpanel, diz que o aumento do consumo de marcas com posicionamento de preço inferior ao de marcas líderes se mantém. Ele cita como exemplos o aumento nas vendas de marcas como Seara, em carnes; Itambé, em leite; e Brilhante, em detergente para roupas.

Marcas próprias

As marcas próprias, com preços em média 40% mais baratos, continuam como aposta dos supermercados. Com o lançamento de 250 produtos da Prezunic, a Cencosud Brasil prevê um avanço de 88% nas vendas de marcas próprias este ano, sobre 2015, com destaque para itens como leite condensado, creme de leite, arroz e açúcar.

Lojas de bairros

Oliveira observa ainda que as vendas de lojas de bairro crescem mais que as de hipermercados. “As redes menores trabalham com mais marcas regionais e fazem menos reajustes de preços nas lojas, até porque trabalham com o estoque por mais tempo. Com isso, atraem mais consumidores”, afirmou Oliveira. Varejistas regionais também têm apresentado melhor desempenho. Uma pesquisa da Kantar indicou que redes como a gaúcha Zaffari e a Supermercados BH, de Minas Gerais, tiveram aumento de 13,6% no faturamento este ano em comparação a 2015. Já nas maiores cadeias do segmento, como Carrefour, Pão de Açúcar e Walmart, o aumento foi de 5,2%.

Produtos locais

Os produtos locais também têm melhor desempenho de vendas, em comparação com marcas globais, segundo Oliveira. As vendas de marcas com atuação local ou regional – como Piraquê e Itambé – avançaram 3,3% no ano, enquanto as globais ficaram estáveis em 0,1%. “Os fabricantes locais desenvolvem uma relação mais próxima com o varejo local e conseguem oferecer facilidades na distribuição e forma de pagamento. As marcas globais costumam ser mais rígidas na negociação. Marcas locais operando em mercados regionais têm desempenho acima da média”, explica Bavaresco.

No varejo como um todo, o desempenho pode melhorar com a proximidade do fim de ano. “Até lá, esperamos que a confiança do consumidor traga reflexos nas vendas”, diz Arruiz.

(Fonte: Supermercado Moderno, 11 de outubro de 2016)

Estilo de vida brasileiro inspira a indústria de cosméticos pelo mundo, informa Mintel

O Brasil se tornou um grande influenciador na categoria de Beleza e Cuidados Pessoais pelo mundo. E uma nova pesquisa da Mintel revela a extensão dessa influência. Porém, somente 10% dos lançamentos de produtos para a pele inspirados pelos estilos de vida dos brasileiros, vieram, de fato, do Brasil, enquanto 90% desses lançamentos vieram de outros países, entre agosto de 2013 e julho de 2014.

De acordo com a Mintel, a França é o país onde a presença brasileira é mais notada, com 16% dos lançamentos inspirados no Brasil vindo de lá. No Reino Unido, segundo país na lista, esse número é de 14%. Depois, vêm os EUA, 12%, e Japão, 10%.

Essa influência é detectada principalmente no campo dos ingredientes, que destacam informações como “brasileiro”, “do Brasil”, “originário do Brasil” ou “inspirado pelo Brasil”.

O mercado brasileiro também inspira os lançamentos globais no campo dos produtos para o cabelo. Anteriormente, a grande maioria dos produtos capilares lançados, que especificavam o uso de formulações sem sal, vinha do mercado brasileiro. Mas esse cenário vem mudando. Em 2011, por exemplo, o Brasil representava 95% desses lançamentos, enquanto 5% vinham dos outros países. Já em 2013, o Brasil foi responsável por 86% das formulações sem sal, e o restante do mundo, por 14%.

“Tradicionalmente, o Brasil tem sido visto como uma fonte rica de ingredientes naturais, mas hoje ele também se firma como um mercado de beleza inspirador. A determinação brasileira de demonstrar uma bela aparência alavanca o mercado de beleza do país. Ao mesmo tempo, misturar elementos da cultura brasileira com frutas populares, como o açaí e o cupuaçu, é uma abordagem atraente também para o consumidor estrangeiro,” explica Vivienne Rudd, diretora Global de Insights de Beleza e Cuidados Pessoais da Mintel.

Ao mesmo tempo em que mostra o seu papel no mundo como difusor de tendências, o mercado de cosméticos tem espaço para crescer internamente. Por exemplo, o mercado de produtos para a pele é caracterizado por produtos de posicionamentos básicos, como “hidratante”, encontrado em 77% das variantes, e “dermatologicamente testado”, presente em 40% dos itens, contra 66% e 26%, respectivamente, nos lançamentos mundiais. Por comparação, atributos como “iluminador” e “sem parabeno”, populares em todo o mundo, presentes em 25% e 21%, respectivamente, dos lançamentos globais, não entram entre os 10 posicionamentos mais populares no mercado de artigos para a pele no Brasil, considerando os lançamentos entre agosto de 2013 e julho de 2014.

A pesquisa da Mintel também revela que 27% dos consumidores brasileiros usam produtos para a pele do rosto, principalmente para melhorar a textura da pele, 25% para tratar e prevenir a acne e 23% para minimizar a aparição de linhas de expressões e rugas. De fato, o mercado de produtos para a pele vai bem. As subcategorias de protetores solares e produtos para o corpo tem um crescimento projetado de, respectivamente 12,5% e 12,4%, entre 2012 e 2016, bem à frente, do setor de cuidados faciais (6,3%).

“Há demanda para posicionamentos mais sofisticados no mercado brasileiro. Dermocosméticos e produtos híbridos, como base com protetor solar e BB e CC creams ganharão, cada vez mais, atributos de proteção, prevenção e personalização avançada, revelando o potencial da categoria de cuidados para a pele do rosto. Enquanto isso, produtos especializados para problemas de pele vão ajudar a expandir o mercado de produtos para o rosto,” afirma Vivienne Rudd.

Oportunidades também existem na área de produtos para cuidados com os cabelos, principalmente entre o consumidor masculino. De fato, a pesquisa da Mintel revela que 61% dos homens brasileiros usam xampu diariamente, em comparação com 27% das mulheres e 61% dos homens usam produtos de styling todos os dias, contra 41% das mulheres. No entanto, enquanto 33% dos homens escolheriam produtos específicos para o gênero masculino, apenas 2% dos lançamentos em 2014, no Brasil, foram voltados a esse público.

(Fonte: Boletim Informativo da Associação Brasileira de Cosmetologia, 22 de setembro de 2016)

Máquinas: Governo acena com ampliação do crédito e devolve um pouco de ânimo aos fabricantes locais

Com uma dose de bom senso por parte dos representantes políticos e a ajuda da nova equipe econômica, a fase difícil vivida pela indústria de base pode começar a ser revertida. Há esperança de que o ano de 2016 seja melhor. A expectativa foi declarada por Carlos Pastoriza, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Temos um sentimento positivo, sem perder o realismo”, explica.

A esperança do dirigente persiste, apesar dos números bem negativos obtidos pelo setor no ano passado. A receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos nacionais ficou na casa dos R$ 84 bilhões, com queda de 14,4% em relação a 2014, de acordo com dados da Abimaq. Fazendo o cálculo desse número, levando-se em conta a valorização do dólar, a queda salta para 22,8%. “Nos últimos três anos encolhemos 30%”, lamenta.

Para que tudo melhore, Pastoriza acha fundamental a evolução favorável do quadro político no primeiro trimestre. Para ele, a crise entre os poderes executivo e legislativo intoxica o ambiente, torna os empresários inseguros em relação aos investimentos. “Os empresários não podem fazer muita coisa nesse sentido, é preciso que os políticos pensem mais no país e não em seus problemas partidários”.

No campo da economia, acredita no diálogo. “Estamos conversando com o governo e acredito que conseguiremos chegar a alguns acordos positivos”. Algumas medidas de incentivo ao crédito já foram aprovadas em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), realizada no final de janeiro, em Brasília, da qual o dirigente participou. “Acredito que teremos um pouco de fôlego e a economia poderá ser destravada. O aumento do crédito é fundamental para que consigamos iniciar a retomada do Brasil”, ressalta.

Outra medida definida na mesma reunião foi o anúncio de que haverá o refinanciamento das dívidas contraídas junto ao BNDES. “Além de dar fôlego neste momento tão agudo da crise, isso contribuirá para que as empresas estejam preparadas e equipadas para o momento em que houver a recuperação da economia brasileira”. Ele avalia positivo o pacote anunciado como medida emergencial. “Mas o governo não pode perder de vista a necessidade de iniciar, o quanto antes, as reformas estruturais que tanto o país necessita”.

Entre essas reformas, defende a reestruturação do PIS/Cofins e do ICMS. “O ICMS deveria ser simplificado e ter taxa única em todos os estados da federação”, recomenda. Acredita ser imprescindível a persistência na luta pela redução do déficit fiscal. Ele quer, no entanto, que o governo trabalhe sobre o corte de suas verbas de custeio. Defende a criação de alguns programas de incentivo para estimular a indústria, que vem sendo prejudicada nos últimos anos.

A desvalorização do real ocorrida no ano passado tem aspectos positivos. O dólar alto deve colaborar com a competitividade da indústria de base no mercado interno. O incremento às exportações resultante da desvalorização do real é outro fator visto com esperança. Chegar ao mercado externo, no entanto, não será tão fácil. Um dos problemas se encontra no pequeno crescimento previsto para a economia mundial, que torna o mercado externo para lá de acirrado. “A crise internacional é uma realidade”, confirma. Outro é a falta de financiamento oferecida pelo governo brasileiro aos compradores internacionais. “Ninguém compra máquinas se não houver financiamento, precisamos de alguma medida nesse sentido”.

Alguns outros resultados indicam as dificuldades vividas pelo setor no ano passado. O consumo aparente de máquinas no Brasil movimentou R$ 130 bilhões em 2015, com queda de 11,7% em relação a 2014. Considerando-se o efeito cambial, essa queda corresponde a 24,1%. A indústria de base terminou o ano utilizando 65,8% de sua capacidade instalada. Em 2014, esse índice ficou na casa dos 68%. O número de empregos no setor sofreu bastante. Ele caiu de 353 mil, no final de 2014, para 308 mil.

A balança comercial apresentou saldo negativo de US$ 10,78 bilhões. As importações no ano alcançaram US$ 18,81 bilhões, 23,3% a menos do que em 2014. “Essa queda se deve muito mais à recessão do mercado interno do que à desvalorização da moeda nacional”. As exportações movimentaram US$ 8,03 bilhões, com decréscimo de 16,2%. Nesse aspecto, vale ressaltar que o dólar se tornou competitivo para as indústrias nacionais a partir do último trimestre. Foi o período em que começou uma recuperação das vendas externas. Em dezembro, elas cresceram 14,1% em relação ao mês anterior e 8% quando comparadas com os resultados de dezembro de 2014.

No mundo do plástico – Um pouco de otimismo não faz mal a ninguém. A situação não parece muito animadora, mas pode melhorar. “Hoje, o Brasil todo está muito apreensivo diante dos fatos políticos e econômicos que estão por vir, mas acreditamos que o ambiente de negócios possa ser melhorado, se medidas sensatas forem adotadas. O mercado de máquinas para indústria do plástico tem dado sinais positivos e já iniciamos uma modesta recuperação”, explica Gino Paulucci Junior, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Acessórios para a Indústria do Plástico, da Abimaq.

O dirigente avalia que o momento atual pode ser revertido. Ele aponta existirem condições para retomada em ritmo veloz se a situação se acalmar. “Muitos projetos de empreendimentos estão sendo represados e uma hora vão sair do papel”. De quebra, está no time dos que acreditam que a realização dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro pode ajudar a aquecer o consumo. “É um fato positivo”, avalia.

O dólar caro em relação ao real também pode ajudar os fabricantes de máquinas e equipamentos para plástico. No cenário interno, faz com que os produtos nacionais não saiam em desvantagem quando comparados aos importados. “Temos competência, conhecemos nossos clientes, eles nos conhecem e reconhecem nosso trabalho”, garante. No âmbito externo, incentiva exportações. “No ano passado exportamos significativamente mais do que nos anos anteriores. Há casos com mais de 100% de incremento nas vendas se comparado aos períodos de dólar barato”.

Vale uma ressalva. “Exportar é sempre importante, mas não é tábua de salvação para quando o mercado interno esfria pelas dificuldades da economia”. Além disso, envolve fatores um tanto fora de uso para a maioria das empresas brasileiras, que nos últimos anos abandonaram o mercado externo pela falta de competitividade proporcionada pelo câmbio.

Quem se manteve preocupado em vender para o exterior mesmo com o real valorizado agora encontra muito mais facilidade para incrementar os negócios. Os demais precisam ir atrás, o que nem sempre é tão rápido. “A operação requer retomada na prospecção de mercado e adequação do portfólio de produtos para às necessidades dos clientes internacionais. Também é preciso contar com estrutura de logística para instalar e treinar os operadores de máquinas, além de oferecer assistência técnica”.

Paulucci também acredita que o avanço tecnológico dos equipamentos pode ajudar a aquecer as vendas. “Uma máquina nova gasta de 20% a 40% menos tempo para transformar a mesma tonelada de resina do que uma antiga, com economia de energia que pode girar em torno dos 30% a 40%. E as vendas fracas ajudam os transformadores a conseguir bons preços na hora de modernizar suas linhas de produção”. De acordo com ele, grandes clientes estão se aproveitando desses fatores. Infelizmente as empresas menores estão descapitalizadas e precisam recuperar o fôlego e contar com financiamento para voltar a investir.

Acima da média – Não são fornecidos ao mercado dados estatísticos oficiais sobre o mercado de máquinas para a indústria do plástico. Apesar da falta de estatística confiável, a avaliação de Paulucci Junior é de que o setor apresentou resultados melhores em relação à média da indústria de base brasileira como um todo no ano passado. “A indústria de transformação do plástico é forte e se moderniza sempre. Há demanda crescente de variedades de máquinas e equipamentos, e estamos preparados para atender a este chamamento”.

De acordo com o dirigente, o ano de 2015 começou com uma carteira de pedidos confortável para o segmento. Os negócios registraram piora a partir do segundo semestre, com a redução de vendas para o mercado interno, compensada em parte e para algumas empresas pelas exportações.

Por contar com diferentes tipos de máquinas e equipamentos, o segmento deve ser avaliado com cuidado. Cada nicho de mercado sofreu mais ou menos com a crise. “Os fabricantes brasileiros de injetoras foram os que enfrentaram dias mais difíceis. As vendas caíram em torno de 10%, em grande parte pelos problemas enfrentados pelo setor de autopeças”, informa. A queda nas vendas das sopradoras está estimada em 7%. “Existe procura razoável por máquinas para fabricar embalagens de determinados produtos, como os de higiene e limpeza ou o de águas minerais”, explica.

O caso das extrusoras é o menos crítico. “A queda ficou em torno dos 3%. O plástico avançou bastante nos segmentos de embalagens flexíveis”. As embalagens flexíveis também ajudaram fabricantes de impressoras e máquinas de corte e solda. “A queda foi próxima de 3%”. Para os fornecedores de periféricos, a redução das vendas deve girar entre 4% e 5%. A procura por periféricos aumenta ou cai de acordo com o interesse de muitos transformadores em automação. Quando o clima econômico está favorável esse nicho se beneficia bastante.