O ritmo acelerado da vida moderna tem impactado na qualidade da alimentação das pessoas nos últimos anos, fato que vem obrigando o setor a redobrar o foco sobre segurança. E a indústria alimentícia, para produzir produtos livres de contaminações e sem riscos, precisa estar atenta a um detalhe especial: a embalagem.

“Ela jamais pode ser uma fonte de contaminação para o alimento, independente do tipo de material com a qual é produzida. Todos eles – vidro, metal, plástico, etc. – precisam estar adequados”, resume Marisa Padula, Engenheira de Alimentos e Pesquisadora Científica do Centro de Tecnologia de Embalagem (CETEA), do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL).

Mas o desafio é ainda mais difícil do que parece. Praticamente todas as etapas da cadeia produtiva, segundo Amanda Camargo, Diretora da Seguralis, trazem risco de contaminação. “Os perigos envolvem toda a etapa de elaboração, fracionamento, armazenamento e comercialização”, enumera a especialista.

Os riscos podem ser delimitados em três formas de contaminação: química, física ou microbiológica. Na primeira, a própria legislação faz o controle adequado. Mas, para enfrentar as demais, é preciso atenção com as boas práticas de fabricação. Em geral, segundo a pesquisadora do ITAL, as embalagens passam por altas temperaturas, o que pode resultar em sua contaminação microbiológica. Se a empresa utiliza água para resfriá-la, por exemplo, precisa ter cuidado com a qualidade dela. Processo similar ocorre com a contaminação física. “Um copinho, por exemplo, pode ter pelo, cabelo, etc., e isso também tem a ver com as boas práticas, como controle total de processo”, explica a especialista do CETEA.

A avaliação é reafirmada por Keli Cristina de Lima Neves, Consultora em Gestão de Segurança de Alimentos da BR Quality. “Os riscos físicos são importantes e variáveis de acordo com o tipo de embalagem. Porém, em todos os processos de fabricação, o risco de contaminação física existe e deve ser considerado”, alerta. “Apesar disso, as indústrias de embalagem podem garantir a microbiologia com medidas simples, adotando boas práticas de fabricação”.

Nesse sentido, existem várias normas internacionais que podem certificar a boa prática. “Esses processos falam o que é ideal para a fabricação de embalagem. Aqui no Brasil, já tivemos uma consulta pública (nº 42, de 13 de maio de 2015) e esperamos que a ANVISA publique logo. Ela dispõe sobre boas práticas de fabricação para empresas que produzem embalagens alimentícias”, explica Neves.

Confira, portanto, quatro dicas para garantir a produção segura de embalagens, segundo a orientação de Amanda Camargo da Seguralis:

1. O material sanitário deve ser bem escolhido. Verifique na legislação sanitária o tipo de material que pode ser utilizado para o contato direto com os alimentos.
2. As instalações físicas e as tecnologias envolvidas devem estar íntegras e adequadas ao processo.
3. A higienização dos equipamentos envolvidos no processo é de extrema importância.
4. Os colaboradores envolvidos devem passar por treinamentos e capacitação para que possam trabalhar de forma adequada e evitar que os equipamentos sejam fonte de contaminação.

(Fonte: Blog da Fispal Tecnologia)